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A pré-candidata do PCdoB à Presidência da República, Manuela D’Ávila, lançou o manifesto da sua pré-candidatura intitulado “Liberdade para o Brasil, para Lula, para os brasileiros e brasileiras”, na noite desta segunda-feira (16). O palco do evento foi o Teatro Oficina em São Paulo, que lotou com a presença da militância comunista, lideranças políticas, sociais, artistas e intelectuais.

Atualmente o Brasil vive um dos momentos mais adversos da sua história. Após o impeachment contra a presidenta eleita nas urnas, Dilma Rousseff, o governo ilegítimo de Michel Temer impôs uma agenda de retirada de direitos da classe trabalhadora e o país passou a viver um quadro de violência política e de Estado de exceção.

No dia 7 de abril, o ex-presidente Lula foi preso, vítima de um julgamento de exceção e agravando ainda mais a crise política e institucional no Brasil. O vice-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Márcio Macedo, disse que “Manuela D’Ávila é um dos quadros mais qualificados que a nossa geração produziu”.

“Você [Manuela] carrega em si o acúmulo de uma geração que quer fazer acontecer. Quero desejar que você tenha uma jornada muito produtiva, que você possa fazer um bom combate e que você possa com a força da juventude, com o seu talento, com a certeza dos seus princípios, dar uma sacudida nesse país em defesa da democracia e por um projeto de país, que tenha responsabilidade com os seus filhos.”

Manuela foi homenageada através de vídeo-mensagem por diversos artistas e intelectuais, como Chico Buarque, Gilberto Gil, Beth Carvalho e Wagner Moura.

Homenagem ao ex-presidente Lula

O ex-presidente Lula, preso em Curitiba, esteve presente de diversas maneiras no evento. Leci Brandão cantou Zé do Caroço, homenageando o ex-presidente que tirou o Brasil do mapa da fome. Leci se referiu a Manuela como “mulher jovem, guerreira, ativista, corajosa e que tem todas as condições de trazer uma nova esperança ao país”.

Lula foi representado pela sua filha, Lurian Cordeiro Lula da Silva. Emocionada, ela saudou aos convidados. “É preciso dizer que eles não conseguiram nos calar, não conseguiram apagar a nossa alegria e não conseguiram destruir os nossos sonhos. Temos a consciência de que há um crime político acontecendo nesse país. A prisão de um inocente, que eles tentam calar de uma forma arbitrária, agressiva, não só com a pessoa do nosso ex-presidente Lula, mas com o nosso povo”.

“Manu, eu só tenho que te agradecer. Esse é o segundo espaço que venho falar depois da prisão do meu pai”, disse Lurian.

“Não vamos nos calar. Lula não estará só. Manu, quero desejar a você toda sorte do mundo. Eu irei a todas as atividades do PCdoB com maior carinho e respeito. A gente precisa muito de vocês e estamos a disposição! Obrigada, obrigada, obrigada! Lula Livre!”, concluiu a filha do ex-presidente Lula.

As homenagens continuaram. Manuela D’Ávila, que tem participado intensamente da jornada em defesa do ex-presidente Lula, antes e depois da sua prisão, esteve na semana passada no Uruguai, com o ex-presidente Pepe Mujica e com a ativista dos direitos humanos e uma das fundadoras da associação Madres de Plazo de Mayo, Hebe Bonafini, e na Argentina, com a ex-presidenta Cristina Kichner.

Manuela entregou a Lurian, um lenço (Pañuelo) de Hebe Bonafini. “Na quinta-feira passada eu fui a Montevidéu e fiz uma visita ao lugar que talvez seja o tempo mais significativo do que foi a ditadura e a falta de democracia no nosso continente, é a casa das Mães de Maio. Elas mandaram um presente ao ex-presidente Lula, um pañuelo, isso é o símbolo das lembranças que elas têm aos filhos, que nunca mais voltaram, e dos netos que elas reconquistam um a um. Elas pediram para entregar ao teu pai”, explicou Manuela D’Ávila.

“Manuela é a expressão do novo na política”

Na ocasião, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), ressaltou que os companheiros do PCdoB sempre estiveram ao seu lado em momentos importantes da história do Brasil. E afirmou, que “Manuela D’Ávila é uma das figuras mais qualificadas, senão a mais qualificada desse campo no momento atual”.

A presidenta nacional do PCdoB, deputada Luciana Santos (PE), frisou que estamos vivendo tempos tenebrosos, depois do Brasil pós-golpe, com a interrupção de um projeto popular eleito nas urnas. “Eles estão rapidamente destruindo a base do Estado brasileiro”, pontuou.

“O PCdoB sempre esteve denunciando o golpe que está em curso no Brasil. O PCdoB está na linha de frente lutando por Lula libre e ao mesmo tempo entendemos que a reposta mais contundente desse momento é debater saídas, e para isso temos a pré-candidatura de Manuela D’Ávila, que é a expressão do novo. Ela não é somente a expressão do novo pela sua idade [36 anos], é por que ela é portadora das ideias do PCdoB. Ela será a porta voz de um novo projeto nacional de desenvolvimento”, ressaltou a presidenta nacional do PCdoB.

Caetano Veloso também participou do ato através de vídeo-mensagem.

“É legitimo e saudável que diferentes grupos de esquerda disputem as eleições presidenciais este ano. O que propicia o aparecimento e a projeção nacional de novas lideranças, como é o caso da Manuela D’Ávila. Manuela é uma doce figura, dura quando precisa, firme nas suas convicções, corajosa, como se viu e como se vê na luta pela liberdade do ex-presidente Lula. Aí está um sinal de que a esquerda pode se unir e deve se unir quando se trata do essencial, do combate a justiça e a defesa da democracia. Estamos juntos”, disse Veloso.

A cantora Ana Cañas, um símbolo das manifestações contra o golpe e a prisão política do ex-presidente Lula, cantou a música Bêbado Equilibrista, um dos maiores clássicos da parceria João Bosco e Aldir Blanc. Considerada como um “hino da anistia”, essa música retrata o período da ditadura militar no Brasil.

Márcio Matos, militante do Movimento Sem Terra (MST), assassinado no dia 24 de janeiro de 2018 na Bahia; Amarildo de Souza, ajudante de pedreiro que foi torturado e morto por policiais em 2013; Cláudia Ferreira da Silva, auxiliar de limpeza, que teve o corpo arrastado por 350 metros por um carro da Polícia Militar e foi baleada, durante uma troca de tiros entre policiais e traficantes; Rafael Braga, jovem, negro, pobre, preso por porte de pinho sol; Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro e Anderson Gomes, motorista, assassinados no dia 14 de março, também foram homenageados no evento pela cantora Ana Cañas.

Discurso da pré-candidata do PCdoB

A pré-candidata do PCdoB, Manuela D’Ávila, discursou e afirmou que a noite foi linda, ao lado de tantos amigos e amigas. “Meus companheiros de uma vida”.

“Liberdade essa palavra que o sonho humano alimenta. Nós tínhamos que dar um nome e diante dos dias muitos difíceis que nós vivemos, escolhemos chamar a minha carta de liberdade para o Brasil, para os brasileiros e brasileiras. Depois a realidade mudou, no meio da construção da nossa carta aconteceu a prisão [política] do ex-presidente Lula, e intitulamos o manifesto: Liberdade para o Brasil, para Lula, para os brasileiros e brasileiras”.

“Nós queremos convidar vocês para que construam junto conosco a nossa pré-candidatura, sabedores de que, para o Brasil ser uma grande nação, é precisa garantir liberdade para o país caminhar com suas próprias pernas, é preciso liberdade para nossa gente e é preciso gritar em alto e bom som que queremos Lula livre, porque a liberdade de Lula é o resgate das soluções democráticas”, disse Manuela, que lançou manifesto pela liberdade durante o evento.

Depois de ler o texto em que aponta os principais pontos da plataforma que defende, a pré-candidata fez uma defesa da unidade das forças progressistas. “Compreendemos que devemos estabelecer pontes e vínculos profundos para que a esquerda e o setor progressista e democrático dialoguem exaustivamente”, disse, defendendo que a prisão de Lula simboliza a tentativa de conter as ideias de esquerda.

“Se Lula vale a luta, Lula também vale a nossa unidade e o estabelecimento de pontes. Nós nunca fomos óbice para a unidade. Pelo contrário. O PCdoB sempre foi a estrada que tentou conduzir o Brasil por esse caminho”, defendeu, ressaltando a ousadia do partido de lançar o seu nome na disputa presidencial. “Nós ousamos porque dizemos que sonhamos, porque nossos sonhos valem a pena”.

Também participaram do ato o deputado federal Jean Wyllis (Psol) e diversos parlamentares do PCdoB, como os deputados Orlando Silva (SP), Jandira Feghali (RJ), Jô Moraes, Daniel Almeida (BA), Alice Portugal (BA), a senadora Vanessa Grazziotin (AM), entre outros.

 

Source:

PCdoB - Partido Comunista de Brasil

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